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Brasil deve retomar o crescimento no próximo ano

Ministro da Fazenda e empresários que participaram da reunião do Fórum Nacional da Indústria estão otimistas com efeitos das medidas de estímulo à economia

Dois mil e treze será o ano da retomada do crescimento econômico. Essa é a avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e dos empresários que participaram da reunião do Fórum Nacional da Indústria, realizada no escritório da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em São Paulo nesta sexta-feira, 23 de novembro. O ministro e os empresários concordaram que 2012 está sendo “o ano da desintoxicação” da economia dos juros altos. “A demonstração de todos foi de otimismo em relação a 2013. As medidas que foram tomadas e estão sendo implementadas darão resultados”, afirmou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade. Ele coordenou a reunião com 30 empresários, representantes de associações nacionais setoriais. 

Em entrevista aos jornalistas, Andrade lembrou que, apesar dos avanços, há muita coisa a ser feita: “Ainda precisa resolver as questões da guerra fiscal, do Reintegra, dos juros do PSI, dos juros do cartão de crédito, do custo da energia. Falamos de tudo isso para o ministro”. Para os empresários, o Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), programa que dá crédito presumido de 3% sobre as exportações para compensar os créditos tributários não recuperáveis, e o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), precisam ser renovados em 31 de dezembro deste ano. 

O ministro da Fazenda destacou que o país passa por uma transformação na matriz econômica, agora baseada em política monetária de controle da inflação com juros baixos. Por isso, o país, acostumado a décadas de juros altos, precisa se adaptar à nova realidade. “O Brasil estava viciado em juros altos e câmbio valorizado. Existe um período de transição, de adaptação da economia para essas condições”, disse Mantega. 

Segundo ele, a cotação do dólar acima de R$ 2,00 veio para ficar, sem prejuízos para a economia. O presidente da CNI destacou que o câmbio ainda é um fator de competitividade para as indústrias instaladas no Brasil. “O câmbio é flutuante e o patamar de R$ 2,10 está melhor do que antes. Mas temos um estudo que mostra que o dólar de 2005 atualizado para hoje deveria estar em R$ 2,47, então ainda pode subir um pouco mais”, disse. 

CAUTELA - O presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista da Costa, apontou para o ministro algumas necessidades do setor, como a possibilidade de extensão do prazo de recolhimento de tributos, mas concordou que 2013 pode ser o ano da retomada. “As condições macroeconômicas estão melhores, vamos torcer para as medidas darem o efeito desejado e o ano que vem mostrar crescimento”, disse. 

Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, o ministro tem razão quanto à “desintoxicação” da economia em 2012. Mas o empresário salientou que a retomada do crescimento econômico deverá acontecer só no segundo semestre do ano que vem. “Algumas medidas ainda precisam entrar em vigor e outras precisam ser tomadas. Além disso, temos de lembrar que a crise na Europa, um mercado importante para o Brasil, é séria",  afirmou Aubert. 

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Química Fina (Abifina), Ogari Pacheco, demonstrou otimismo cauteloso. “Temos condições de voltar a crescer em 2013, mas se será num ritmo de 4% ao ano ou de 2% ao ano depende de muitas variáveis. O governo tem tomado medidas no caminho certo, mas pode não ser suficiente”, avaliou. 

O Fórum Nacional da Indústria é um órgão consultivo da CNI que reúne 44 associações nacionais setoriais e presidentes dos conselhos temáticos permanentes da CNI. O fórum se reúne a cada dois meses. 
 

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